Meus dias são incipientes
Como recipientes
De onde o tempo escorre
Por um furo invisível
Que não vejo...
São dias que me cortam
E deixam um ferida aberta
Por onde o tempo jorra
E só sinto quando aperta
E escorre...
Como uma hemorragia interna
Que desce do pensamento à perna
Sinto como um vulto no escuro
De uma caverna
Sem furo...
Perco-me tão profundamente
E profusamente em minha confusão
Que na mente me perco
O tempo mente
E corre...
Até que o dia morre.
terça-feira, 28 de fevereiro de 2012
domingo, 19 de fevereiro de 2012
Ondas
Enquanto espero a onda vir
Fico imerso no ar
Em ondas que estão por vir
Como ondas para ficar
Acostumado na espera
Espero uma estrada que cresça
Como o olhar da fera
Quando faminta por sua presa
Assim em imagens que vão
E florestas que me fazem desdém
Como uma invisível mão
Sigo a maré como quem vem
De um mar que não tem extensão
E fere as ondas também
Fico imerso no ar
Em ondas que estão por vir
Como ondas para ficar
Acostumado na espera
Espero uma estrada que cresça
Como o olhar da fera
Quando faminta por sua presa
Assim em imagens que vão
E florestas que me fazem desdém
Como uma invisível mão
Sigo a maré como quem vem
De um mar que não tem extensão
E fere as ondas também
Semeadura
Aqui
Semeei meu desalento
Com o zelo de um amador
E a destreza do semeador
Chovendo sementes a granel
Num desespero contínuo e lento
De um verme que revira oS céuS
Revirei os olhos para ver
Revirei o corpo para sentir
Revirei-me para não ser
E ir...
E Surgi
Com falta de ar
Para mais uma vez revirar
Com mais força do que mil pás
Perdi-me no sulco mais fundo
Que existe no mundo
E ainda aqui
Ressurgi.
Semeei meu desalento
Com o zelo de um amador
E a destreza do semeador
Chovendo sementes a granel
Num desespero contínuo e lento
De um verme que revira oS céuS
Revirei os olhos para ver
Revirei o corpo para sentir
Revirei-me para não ser
E ir...
E Surgi
Com falta de ar
Para mais uma vez revirar
Com mais força do que mil pás
Perdi-me no sulco mais fundo
Que existe no mundo
E ainda aqui
Ressurgi.
Corajoso
Se eu fosse corajoso
Mataria-me só pra provar
Que sou corajoso
Mataria-me uma vez
Só pra provar...
Mataria-me só pra provar
Que sou corajoso
Mataria-me uma vez
Só pra provar...
Nuvem
Acima dos céus e das cabeças
Há mais coisas do que supõem os olhos...
E passo
tão importante e disforme como nuvens
Passo como nuvens
Que se dissolvem no vento
E torna-se brisa
E falo
tão importante e poético como nuvens
Falo sobre nuvens
Que se dissolvem no sopro
E torna-se brisa
(Do mar para o mar
Do ar para o ar)
Como um nada que faz nada
Como nada.
(Como Eu...?)
Há mais coisas do que supõem os olhos...
E passo
tão importante e disforme como nuvens
Passo como nuvens
Que se dissolvem no vento
E torna-se brisa
E falo
tão importante e poético como nuvens
Falo sobre nuvens
Que se dissolvem no sopro
E torna-se brisa
(Do mar para o mar
Do ar para o ar)
Como um nada que faz nada
Como nada.
(Como Eu...?)
Meio nada, meio tudo
Nada me trai
Pois, nada me atrai
Nada me traz
Pois, tudo está atrás
Tudo está de pé
Pois, não há contra-pé
Nada está no tudo
Tudo está no nada
E eu estou no meio
Pois, nada me atrai
Nada me traz
Pois, tudo está atrás
Tudo está de pé
Pois, não há contra-pé
Nada está no tudo
Tudo está no nada
E eu estou no meio
Epitáfio daninha
Ao obstetra do cemitério
Dizer:
Tal qual um broto torto
Ser arrancado da Terra
Como fui do ventre
Não foi dor
Doloroso foi viver...
Dizer:
Tal qual um broto torto
Ser arrancado da Terra
Como fui do ventre
Não foi dor
Doloroso foi viver...
segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012
Talvez
Luto por uma frase com fim
Sem a frieza da suposição
Mas, quanto vale um sim
Quando é impossível um não?
(Melhor não perguntar
Deixa no ar...)
Sem a frieza da suposição
Mas, quanto vale um sim
Quando é impossível um não?
(Melhor não perguntar
Deixa no ar...)
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