domingo, 25 de dezembro de 2011

Realidade

O que é é, e não pode ser mudado. Precisamos pensar no que pode ser... e o que queremos mudar.

Rascunho

Olho o cume do morro
Penso no vento batendo
E a música nascendo
Quase morro
Tanto faz
pensamentos se perdem
No fosso que não medem
Caio atrás

Tanto faz...

Já estou caído
E não sabia
Uma história que eu fazia
Que afinal deixou-me pálido
Sem vento e música...
Apenas morro.



Jardim oscilante

Penso que vi um jardim
Era só um jasmim
Jaz aqui em mim
Não importa...

(O que já era fim
Foi início sim)

Que a flor voe
Mas, ocupe meu olfato
E seque mais ainda o cacto
Da primavera que já foi

Já não importa o vento
É apenas um intento
Um dia eu invento:
Minha horta

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

parte, infinito e a soma das partes

Cada parte isolada do Universo é insignificante. 1 dividido por infinito igual a zero, certo? Somos todos zero se comparado com o todo. Curioso é como a soma de todos esses zero dá infinito novamente...

Ponto para o pensamento sistêmico!

Ânsia

Uma fresta de luz
Que deixa os olhos nus
E invade todo o ser
Para que o cego possa ver

Nos olhos que me flerta
Vejo uma porta entreaberta
Que me atrai para perto
Do furacão sem alvo certo

Prende-me como um laço
E não sei do novo passo
Que me aproxima da distância

Não importa o que faço
Sempre estou na infância
E és a minha ânsia

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Ilusão real

Fora de mim sou real
Mas, fora de mim não vivo
Dentro de mim sou ilusão
Mas, dentro de mim sou rico
Senhor de todas as estrelas que vejo
Todas reais para mim...
Distante de tudo, onde só eu sou real
Sou rei.

Já quis ser rei de coroas douradas
Mas, elas não encaixam
São como fardos, pesados
Deixo que caiam...
Todas irreais para mim
Onde todos querem realizar
Não sou.

Para ser
Vivo no território do não-ser
Para não parecer
Eu sou.




domingo, 18 de dezembro de 2011

Imagem obscura

Letras para riscar o branco
Branco para sujar o preto
Como lábios sujos de grafite
Grafite que se dissolve em versos

Versando sobre os seres
Que revesam
Em ser e não-ser
Não ser dissolvido

Em minha cabeça tudo gira
E se perde no obscuro...
Uma imagem
Que lembra teu nome
E me faz imaginar
Ahhhh...
Faz-me suar!

E dissolvido em ti
Saio pelos poros
Para o papel
Versando em ti
Na frente e no averso...

- Conversamos?

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Aniversário

Para ter um bom aniversário
Não o comemore
Simplesmente viva

A visão das regularidades
evita as singularidades
do dia a dia
Como o cego que não via
Que vida se vive
mais do que se nota
E não volta...

atrás o verso
na frente o destino
E os pés
Só para descobrir...

Própria Sombra

Como pólvora queimada
Solto faíscas da noite passada
Para acordar na longa manhã
Que me chama para o divã
Interiormente falando...

São nuvens que eu acho
Não escuto nada aqui abaixo
Acima de minha cabeça de lata
Como um lixo que alguém cata
Exteriorizando os demônios

Para palavras e letras
Da mão de um obstetra
Como um poste trazendo Luz
Luz de onde não há luz
Apenas para exorcizar o pesadelo

Na escuridão
Da própria sombra.
Escuridão é luz
para as vozes da poesia:
A verdadeira canção...

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Prisão


Da confusão de arbustos
e cipós
Tentei me desvencilhar
Como algemas de um preso selvagem
Numa selva prístina

Com grades de condomínio eu brigo
Esquecendo que as amarras não são de aço
Os verdadeiros fios
São árvores tão altas
Quanto o espaço sideral
Tão brilhantes como as estrelas
Fios que se enraizam na cabeça
E não saem dela
Fios de uma matéria qualquer
Diferente do aço que eu vejo

O contrário da visão
No selvagem espaço do ser
Dentro de uma caixa
De onde saem os versos
As palavras, letras, e tudo o mais
Está a verdadeira prisão

(Encarceirando a estrofe...)
De onde sai a poesia

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Ponto


Sem...
Cem
Mil
Com
Zeros
Um
...

Números
.
..
...
....
!

A pirâmide dos pontos
Não resulta em plano
Nem volume
Nem pirâmide
Nem poesia
Nem
.

Apenas uma árvore de aspirações:
abstrações númericas
de um mundo sub-objetivo
- na alma imaginativa
do ser

Pipa nº3


Sentes agora o tremor do vento
E choras para voltar
Pois, do avião sem assento
Todos caem no ar...

(Ah...
Voar, voar, voar...)

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Macaqueando


Eu ando macaqueando em cada galho de ilusão
pulando como o mico-leão
Na mata obscura do meu ser
Me embrenho até deixa de ver
No obscuro viver...

E pulo...

Até chegar à beira de um galho
Onde caio de cansaço
E sinto o carinho de um orvalho
Da cor do aço.

Acordo e pulo.

Até a outra cama.
E pulo até o outro sonho.

Até o outro dia.

E durmo.

E acordei com sono.
E caio.

Pipa nº 2

Para respirar precisas ar
E no desassossego do vento
É preciso inventar
Algo além do tormento

(O que?
É preciso voar...)

Pipa nº1

Cerol para a linha do chão?
Afinal, precisas voar...
Mas, para que tanta preocupação
Se já és mais pesado que o ar.

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Mina certa



Uma pérola cintila
quase como a aurora
da alma que andou milhas
Mas, chegou na hora

De certo que anuncia o broto
De um sonho torto
Que sonha ouvir teus encantos
E delira-me em acalanto

Então, acordo na hora certa
E com o vento chego em ti
Descobrindo a razão do ser aqui

Encontrei a mina aberta
E por fim garimpei a minha dívida
De ser feliz nessa vida

Capa de frio

Um velho me disse
Se descubra

O vento me disse
você sentirá frio

O frio me disse cadê o cobertor?
Eu disse
Me descobri.

Tropeço

Se tropeço em teu pé
É como uma folha que cai no chão
Na maca, é preciso mais do que um pé
Para deitar o coração...

Passagem

Ora, as horas estão passando...
Mas, ora sem esperança
Vão continuar passando
Ora, não vê que já fosse criança
Puro como o relógio
Mas, não aceites o elogio
Do tempo... Passa tempo sem demora
De mão com as horas...
Tíquetaqueando para o tempo:
Não pára
Tempo
Não pára...

(Brincou?
Não parou...)

E vai continuar a passar
Sem que dê tempo de contar
Conta, contas...
Perdeu a conta?
Não paga...
Ela já se apaga
Junto contigo
De volta ao umbigo
Do início ao sim
Na barriga do fim

Na mãe Terra
Debaixo da terra...

(Como o tempo
como o vento...)

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

... Tem alguém aí?
A resposta para isso é estar
(Se não está não responde)

Tem alguém aqui?
Não pergunto nem respondo
Não há...

No oco de minha voz
Desbravo o óbvio
Descubro-me em versos
Que são poesia
E dizem nada
Para nada
Para ninguém

...

terça-feira, 27 de setembro de 2011

Escreve!

O andar cambaleante do talvez
É de quem nunca fez
Não houve ainda neste planeta
Texto sem escrever uma letra

(Escreve!)

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Expirar

Em minha ilusão diária
Faltam-me os dias
E meus sonhos escorrem pelos olhos
Não sei a fonte
Se de dentro para fora
Ou de fora para dentro
Sou confuso de coração

Meu coração tem milhões de olhos
E não olho por nenhum
Senão todos
Talvez cegos
Por minha visão

Vejo apenas sangue
Não bombeio luz
Talvez nada

Nada a ver ou bombear
Apenas ar

Expirar...

sábado, 24 de setembro de 2011

Epitáfio mórbido

Dizes: "se acabou o amor
É porque ele nunca foi meu"
Dirão em teu epitáfio sem flor
"Nunca viveu..."

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Horas chão

Em prantos o céu chora
Desaba qual mar de chuva
Forma gotas em cachos de uva
Que a Terra pega como uma luva

Embaixo o cristão ao céu uiva
Pede que nuvens fiquem turvas
E desacelere o rio como curvas
Curvando-se de joelhos ele ora

Lágrimas sobem
Gotas chovem
E tudo desagua
Na mesma água
Do mundo
Mudo
De tudo

Quem chora, não olha
Mas também se molha...

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Versos passados

Antes eu fosse escravo do ser
[Ou mesmo do dinheiro]
Do que este eterno não ser
Margem que não beiro
Só vejo...

Antes eu falasse como passarinhos no ar
Em sinfonia constante
Do que este eterno não ter o que falar
Não vale a pena que se cante
Só ouço...

Antes eu roubasse aquela amada
Mesmo sem vontade, nem idade
Apenas para deixá-la na estrada
Mas eu fui covarde
Nem sonho...

Antes fosse refém de linhas
Com caneta perseguindo rimas
Mesmo onde a vida definha
E não tem nada que a a afirma
Nem futuro...

Antes só
Do que com meus versos...

Antes eu não escrevesse esta poesia!

Poesia

Como escrever poesia?
Fere as linhas imaginárias do corpo
Com a faca que cria
E deixa escorrer os versos no copo

(Não precisa beber,
Apenas escrever)

Segue o rio em seu curso
Até perder o pulso

Caminho de vai e volta
Que de tanto tráfico, corta

-Corta!

domingo, 18 de setembro de 2011

Duvidam que tu conseguirá?
Ora, não te irrites...
Se duvidam das estrelas que existem
Há melhor resposta do que brilhar?

Resposta brilhante

Duvidam que tu conseguirá?
Ora, não te irrites...
Se duvidam das estrelas que existem
Há resposta melhor do que brilhar?

sábado, 17 de setembro de 2011

Reflexo sinuoso do sol
Como silhuetas de uma árvore
A produzir espelhos para não ficar só
Na floresta secreta de odores
Flores e beija-flores

Na cidade, como o beija-flor
Sonhas teu beijo de amor

Ora, não chore
Na rua está teus amores
A gastar os passos na rua
Rua que verá aonde fores
E o reflexo na lua

Melhores,
Velhos amigos
São amigos espelhos
Amores e flores

(Para cheirar, ver e refletir...)

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Poema curto

Este é um poema curto
Do tamanho de um susto

Assusta-me
Encurta-me
Num surto
Louco de um poema curto

Sentimento do tamanho da linha que vai...

Medo constumeiro

Como de costume
Pego no pincel e no quadro
À procura de consolo para meu fado
Como de costume

Tenho medo
Como é rotineiro aqui
Medo de repetir
Que tenho medo de repetir
Medo que tenho
Medo

Do costume da rotina
Pego o poema sem lápis
Lendo o medo do que já fiz
Medo do que escrevi acima

Começo uma nova estrofe
Como um lápis que sofre

Sob o costume da rotina
Rotina presente aqui e ali
como de costume
Tenho medo dos costumes

Ilusão atômica

Os átomos reais como eu
São sonhos que nunca bi
Movendo por territórios do invisível
Estão dançando sempre por aqui

Tão pequenos
Que não cabem em meus olhos
Nanométricos mais ou menos
Pequenos como átomos dos olhos

Estão fora da minha paisagem
Como imagens sagradas
Soam como miragem

Uma miragem que fica pairada
Os átomos à nossa margem
Como um andar sem escada

(Ou será varinha sem fada...?)

Relógio estridente

As horas passam com tudo
Tudo que se pratique
Tudo que se ataque
Contudo o fato não nos deixa mudo

A arte que traz o tempo
Não faz o tempo voltar para trás
Mas, mesmo que o relógio destaque o tempo
É arte que ataca seu capataz
A velhice que irrita
Que com o cansaço bate
Com olhos de uma águia que fita
Quieta e intensamente como um elástico

Forte como a alegria da juventude
Fraco como os versos de poesia
Corta a tristeza do que não pude
Aquecendo as horas com o que não se via

Não há papel que não se risque
Como todo relógio faz tic
Não há pedra que não se lasque
E o relógio faz tac...

Como tiques do tempo
Ou como uma estaca no espaço
tic...
tac...

T

Tudo depende da hora!
Esta poesia depende de Drumond
Palavras que ganham força afora
Quando vibram como som

Eu dependo de você
Que disse que Drumond disse
Que tudo depende da hora
[para ser]
Até para chegar à calvice

Eu, você e Drumond dependemos
Pendemos como um pêndulo
Pendurado nas horas que perdemos
Um relógio fulo

Dependemos da hora
Como eu pêndulo em você
As horas dependem de tudo
Como eu dependo de você

(Ele se perdeu
Eu te perdi
Você se perdeu por aí
Nós nos perdemos onde ninguém leu)

domingo, 11 de setembro de 2011

As aparências não enganam
As pessoas é que se iludem
Vêem alucinação...

Afinal onde está a aparência?

Camuflado

Nativo do mundo
Das cores e da forma
Prendo-me ao redor como um fundo
Suspenso em vento que não retorna
Tudo em suspense...

Não precisas ver
Apenas pense

Encorpado em timidez
de existir num corpo
que carece de robustez
E transparece como um copo
que não dá para beber

Quem se esconde vence...
Basta ser

Ser como o meio
Sem início nem fim
Entre o acelerador e o freio
Ninguém precisa saber de mim
A imagem ilude...

Apenas imagine-se
Camuflado nas próprias rimas
Como um pensamento que ninguém visse
Afiado por uma lima
Até que a ilusão desgrude...

terça-feira, 30 de agosto de 2011

Estilo

Não tenho estilo

Apenas pensamentos e sentimentos

Que bifurcam na mais improvável das esquinas

E cruzam em algum lugar no infinito

Desembocam do invisível...

Para minhas mãos de papel

Rabiscadas por linhas de “verdade”

ou vaidade.


(Com um lápis oculto)


... ou inexistente


Este é o mais possível (e improvável) dos poemas...

... a minha poesia!

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Fingimento

Chorar porque não é verdade?

Ora, mas não será uma mentira

Que coisa alguma seja verdade

Ou não possa ser mentira?




Tudo falso ou vaidade

A verdade atrás dos olhos

É a falsidade da realidade

Para a cabeça deitar num colo


Que diferença faz

Se tudo que vemos é uma sombra

De nós ou uma alma que jaz?

Afinal a verdade nos assombra


Chorar por quê?

Se as lágrimas são do mar

De gotas que você nem vê

É melhor sonhar


Como uma ilusão:

Escreve e finge que sentes

Versos se misturam em confusão...

Ninguém precisa saber que mentes


Vive tua vida...

Uma verdade mentida



Ora,

não choras...

Horas se perdem na cidade

E isso é a verdade!

Absinto

Sobre o que escrevo?
Sobrou apenas o papel
Restos de lixo que voaram para o céu
Foi uma nuvem em relevo
tão alto que tocou meu céu
da boca para o papel

Era a alegria que eu devia ter
Disseram que assim deveria
Mesmo assim sem qualquer companhia
Fugindo de qualquer ser
Perdido nas linhas do próprio crochê

Um bordado sem estilo algum
Como o transito sem destino
Entre linhas tortas que não assino
Deve haver um fim ou mesmo um rum(o)
Para se perder em algum lugar...
Ab(sinto).